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Wednesday, April 30, 2008

 
TIMOR LESTE
Comandante rebelde se rende
O líder do grupo rebelde acusado de tentar matar José Ramos-Horta, presidente do Timor Leste, se rendeu ontem, abrindo a perspectiva de que finalmente a situação política no país se estabilize. Gastão Salsinha e 12 de seus homens se entregaram ao vice-primeiro-ministro, José Luis Guterres, durante um encontro a portas fechadas na sede do governo, em Díli. Várias autoridades, inclusive o próprio Ramos-Horta, assistiram à reunião. O atentado que quase matou o presidente, de 58 anos, ocorreu em fevereiro na casa dele. Os rebeldes entregaram armas, fardas camufladas, granadas e outros equipamentos militares. Dois integrantes do grupo continuam foragidos. “Como indivíduo, eu o perdôo, mas como chefe de Estado, digo que ele tem de enfrentar o tribunal”, afirmou Ramos-Horta.
Folha de São Paulo SP terá dia frio no feriado de 1º de Maio
Frente fria vinda do Sul chegou na noite de ontem ao Estado e afetará as regiões Sudeste, Centro-Oeste e parte da Norte
ESTEVÃO BERTONI, DA REDAÇÃO & MATHEUS PICHONELLI,
Uma frente fria vinda do Sul do país, que chegou na noite de ontem ao extremo sul de São Paulo e avançou pelo resto do Estado, deve derrubar hoje as temperaturas em até 10C na capital paulista e manter frio o feriado de 1º de Maio em boa parte do país, segundo o Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos).
As regiões mais afetadas serão Sul, Sudeste, Centro-Oeste e parte da Norte, especialmente em Rondônia, no Acre e no sul da região amazônica. No Sul, a temperatura deve chegar a 0C. Norte de Minas Gerais, Nordeste e grande parte do Norte não sofrerão tanta influência da frente fria.
Segundo o Ciram (Centro de Informações de Recursos Ambientais) de Santa Catarina, há previsão de geada durante a madrugada e ao amanhecer nas serras gaúcha e catarinense.
A massa de ar frio continua a avançar hoje por São Paulo e pelo Rio de Janeiro e deve deixar o tempo nublado, com pancadas de chuva na capital e no litoral paulista. Hoje, a previsão é que a máxima em São Paulo seja de 19C; a mínima, de 14C.
Amanhã, o tempo estará encoberto, com chuvas isoladas. A máxima chega a 17C; a mínima, a 13C.
Na sexta-feira, o dia deve permanecer nublado e com pancadas de chuva, mas as temperaturas deverão apresentar um ligeiro aumento. A máxima vai a 18C; a mínima, a 15C.
O tempo melhora um pouco no sábado, mas o dia ainda será nublado, com pancadas de chuva. As temperaturas devem variar entre 16C e 21C.
Mau tempo
Choveu ontem durante o dia nos três Estados do Sul. Na região de Curitiba, temporais alagaram casas e ruas, deixaram pessoas sem água, derrubaram e destelharam construções.
Uma estação de tratamento de água interrompeu o fornecimento devido ao alagamento do canal de captação. Cerca de 600 mil moradores de Curitiba, Pinhais e São José dos Pinhais permaneciam sem água até o final da tarde de ontem.
O Serviço Meteorológico da Marinha divulgou ontem aviso de mau tempo para navegação na costa e no alto-mar no Sul do país. A previsão é de que os ventos cheguem a 100 km/h e as ondas atinjam até quatro metros de altura no oceano.
Por conta disso, a Defesa Civil de Santa Catarina desaconselhou ontem a navegação de pequenas e médias embarcações perto da costa por conta da agitação do mar. Recomendou, ainda, que a população evite nos próximos dias, como forma de prevenção de acidentes, transitar próximo ou embaixo de árvores e postes.
Anteontem à tarde, chuvas de granizo provocaram estragos no Estado. Em Celso Ramos (356 km de Florianópolis), pelo menos 500 casas ficaram danificadas. Dez mil telhas foram encomendadas pela prefeitura, e mais de cem famílias tiveram de deixar suas casas.
Parte do município ficou sem luz desde o meio da tarde de segunda-feira até o final da tarde de ontem. As aulas ficarão suspensas na cidade durante toda a semana.
Também houve ocorrência de granizo em Ouro (450 km de Florianópolis). Cerca de cem casas ficaram danificadas.
Folha de São Paulo TODA MÍDIA
"À BALA"
Nelson de Sá
Por outro lado, agências da AP à Xinhua seguem de perto a negociação na Colômbia do Conselho de Defesa sul-americano, entre o presidente Alvaro Uribe e Nelson Jobim. Mas o que ecoa na região é a frase do ministro, de que as Farc serão recebidas "à bala".
Folha de São Paulo STF deve votar contra saída de não-indígenas de reserva
No caso da Raposa/Serra do Sol, ministros do tribunal argumentam haver cidades inteiras dentro da área demarcada como indígena
ELIANE CANTANHÊDE, VALDO CRUZ e KENNEDY ALENCAR
O STF (Supremo Tribunal Federal) restringirá a edição de medidas provisórias de créditos extraordinários do Orçamento da União. E tende a modificar o modelo de demarcação contínua da reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima.
No caso da reserva, o objetivo é evitar a remoção de não-indígenas. Segundo a Folha apurou, o STF deve criar "ilhas" na reserva, segundo a expressão ouvida no Supremo.
No das MPs, o Supremo avalia que há abuso do Executivo, que recorre ao artifício para modificar o texto do Orçamento aprovado no Congresso.
Ao julgar o modelo de demarcação da reserva, o Supremo deverá deixar claro que, apesar da pressão de setores e ONGs internacionais, as Forças Armadas não sofrerão constrangimento para atuar em território indígena em todo o país, porque a propriedade das reservas é da União.
O Brasil é signatário da "Declaração dos Povos Indígenas" da ONU (Organização das Nações Unidas), de 2007, que assegura o direito dos índios à terra e aos seus territórios. Isso preocupa as Forças Armadas, porque poderia caracterizar um território autônomo dentro do território nacional.
O comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, admitiu publicamente que temia "ameaça à soberania nacional", já que a reserva fica em área de fronteira.
O Supremo dirá que a declaração não é convenção, tratado nem tem força de lei. Trata-se de manifestação política.
A demarcação da reserva Raposa/Serra do Sol foi feita em 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso, e homologada já na gestão Lula, em 2005. O Planalto começou a recuar na defesa da demarcação contínua devido à tensão gerada pelo processo de retirada dos não-indígenas da área.
Produtores de arroz, por exemplo, ameaçaram entrar em conflito contra índios e a Polícia Federal para ficar na reserva, e o STF suspendeu as ações de retirada dos não-índios para estudar a questão.
Em reunião com líderes indígenas no Planalto, Lula disse que apóia a demarcação contínua, mas, nos bastidores, torce para que o STF mude a regra. Se houver ônus político, será do Supremo, não do governo.
Na opinião da maioria dos ministros do STF, há argumento jurídico para manter na reserva populações não-indígenas que vivem na área, algumas desde 1880 e outras que foram estimuladas pela ditadura militar de 1964 a aderir à colonização de Roraima. A tendência do STF é reconhecer a legitimidade dessas ocupações. Ministros argumentam que há cidades inteiras dentro da reserva e não faria sentido sua remoção.
Atualmente, dentro da reserva já existem duas áreas de exclusão -dos municípios de Normandia e Uiramatã. Políticos do Estado defendem a criação de mais quatro -vale do Arroz, lago de Caracaranã, vila Surumu e a área da hidrelétrica do rio Cotingo, em construção.
Medidas
No caso das MPs, segundo a Folha apurou, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, já disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que a tendência é a de restringir as MPs no caso de créditos extraordinários do Orçamento. Só falta um voto para a derrota do governo -o placar está em cinco a três.
A cúpula do governo já contabiliza que essa restrição acontecerá e se empenha para evitar que o Congresso reduza ainda mais o alcance das MPs em proposta em discussão na Câmara.
Folha de São Paulo Índia recebe Ahmadinejad e irrita o governo dos EUA
Irã negocia com indianos gasoduto de US$ 7,6 bilhões que atravessará Paquistão. Departamento de Estado quis que Índia pressionasse o Irã para cessar programa nuclear; Nova Déli disse que dispensava "orientações"
DA REDAÇÃO
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez ontem à noite uma escala de cinco horas em Nova Déli e não assinou nenhum contrato. Mas isso bastou para que a Índia desse nova prova de independência com relação aos Estados Unidos, que procuram isolar o Irã em razão de seu controvertido programa nuclear.
Ahmadinejad foi recebido pelo primeiro-ministro Manmohan Singh e pela presidente Pratibha Patil. Foi a primeira visita desde 2003 de um governante do Irã à Índia.
Os dois países negociam um gasoduto de 2.500 km de extensão, a um custo de US$ 7,6 bilhões. Ele atravessaria o Paquistão. Mas o projeto escorrega na tarifa exigida pelo Irã para entregar o combustível e na desconfiança da Índia quanto à travessia do duto pelo território de seu histórico inimigo regional, com o qual precisará negociar uma taxa de royalties.
EUA ditaram pauta
Mas o importante na visita de Ahmadinejad está no interesse comum, dele e da Índia, de provocar a irritação americana. Na semana passada, o porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, sugeriu que Nova Déli pressionasse o presidente iraniano a cessar o enriquecimento de urânio e a não mais apoiar o Hizbollah e o Hamas, grupos antiisraelenses no Oriente Médio.
Na ocasião, o Ministério das Relações Exteriores da Índia respondeu que duas civilizações milenares, a sua e a iraniana, não precisavam de "orientações" sobre como se relacionar.
Ainda ontem, Shiv Shankar Menon, o chefe da diplomacia indiana, declarou que a região se estabilizará se o Irã não permanecer isolado.
É o oposto do que pensam os Estados Unidos, que trabalham por esse isolamento, como forma de pressão para que os iranianos não levem adiante o plano que lhes é atribuído de construir a bomba atômica.
Lalit Mansigh, ex-embaixador da Índia em Washington, disse ao "New York Times" que é positivo para o governo indiano tomar iniciativas que possam desagradar aos EUA.
Um integrante do governo de Nova Déli, não identificado, também afirmou ao jornal americano que a visita de Ahmadinejad "é de alta visibilidade, mas de magras chances de gerar resultados concretos".
O "Times" não bate apenas na tecla da irritação da administração Bush. Há um outro pacote de motivos que leva o Irã a se manter próximo da Índia. Ele é o segundo maior fornecedor de petróleo aos hindus, superado apenas pela Arábia Saudita. O Irã é também influente no Afeganistão, cuja instabilidade preocupa a Índia. Por fim, os iranianos exercem liderança sobre a minoria xiita da Índia, com a qual o governo procura manter boas relações.
Antes de desembarcar em Nova Déli, Ahmadinejad, em visita oficial ao Sri Lanka, assinou contrato de empréstimo de US$ 1,5 bilhão para que aquele país amplie sua principal refinaria de petróleo e sua capacidade de geração hidrelétrica.
Na ocasião, o presidente iraniano afirmou que "podemos dar segurança e manter boas relações, mas alguns países poderosos [referência aos EUA] criaram divisões entre os povos e nacionalidades".
Com agências internacionais
Folha de São Paulo EUROPA
Sérvia é aceita como candidata à adesão à UE
A União Européia assinou ontem com a Sérvia um tratado que teoricamente dá início ao processo de adesão daquele país ao bloco, apesar de divergências sobre a independência de Kosovo e da não entrega ao Tribunal de Haia de sérvios implicados em genocídio nas operações de "limpeza étnica".
O documento foi assinado pelo vice-primeiro-ministro Bozidar Djelic, depois que a Bélgica e a Holanda recuaram do veto ao início das negociações.
O ministro holandês do Exterior, Maxime Verhagen, insistiu para que a Sérvia entregue seus assassinos, como Ratko Mladic, responsável pela morte de 8.000 muçulmanos.
O Dia ‘Imigrantes’ em alto-mar
Maior porta-aviões do mundo, americano, tem dez brasileiros que trabalham e vivem a bordo
João Ricardo Gonçalves
Rio - Na costa do Estado do Rio desde a semana passada, o maior porta-aviões do mundo, o americano USS George Washington, é chamado de “cidade sobre as águas”. Como em muitas localidades americanas de verdade, a embarcação leva também “imigrantes” brasileiros e filhos de pessoas que nasceram no País e se mudaram para os EUA. Segundo tripulantes, cerca de 10 brasileiros viajam com o navio, alguns de “mala e cuia”.
É o caso da controladora de vôo Cynthia Cavendagne, 21 anos, que tem pais cariocas de Botafogo, mas nasceu em Miami. “Começei a fazer faculdade nos EUA, mas queria conhecer o mundo. Eu e uma amiga decidimos nos alistar. Atualmente moro no navio e nem tenho casa fora. Gosto muito da vida aqui”, diz a militar, em português.
Entre os passatempos prediletos de Cyntia no navio estão conhecer as cidades de onde ele se aproxima, malhar em uma das cinco academias do porta-aviões e ver canais de TV exclusivos da própria embarcação.
Já o sargento de primeira-classe Lucimar dos Santos, 29 anos, de Santo André (SP), e o cabo Felipe Rocha, 21, de Belo Horizonte (MG), que trabalham na pista de vôo sinalizando para os aviões que pousam, gostam de disputar torneios de futebol em alto-mar.
Eles também se dizem felizes na Marinha americana: “O único problema é a saudade da minha filha que acabou de nascer, na Flórida, mas em poucos meses vou vê-la”, conta Lucimar, que está nos EUA desde os 16 anos, e ganha US$ 3 mil por mês.
Brasileiros que participam do Unitas, o treinamento conjunto com americanos e argentinos, e outros exercícios também aproveitam para trabalhar na embarcação. “Estou gostando muito do navio, mas em termos de preparação e procedimentos não ficamos devendo”, afirma o primeiro-sargento Josias Nogueira Bocórnio, 41, que trabalha no porta-aviões São Paulo.

Sunday, April 27, 2008

 
Obstáculos vão além de Itaipu
Presidente eleito, Fernando Lugo terá desafios maiores do que aumentar o preço da energia vendida ao Brasil. Sem maioria no Parlamento, ele enfrentará resistência dos brasiguaios à reforma agrária
Eraldo Peres

"Quando o Brasil sempre se curvava diante das exigências do FMI, não havia preocupação de que estivéssemos perdendo a soberania"
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores, respondendo aos que criticam a disposição do governo a rediscutir a tarifa paga ao Paraguai pela energia de Itaipu

Talvez o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, tenha mais facilidade para arrancar alguns milhões de dólares a mais do Brasil, como pagamento pela eletricidade de Itaipu, do que para levar adiante sua agenda doméstica de mudanças. O ex-bispo ligado à Teologia da Libertação — a corrente da Igreja Católica sul-americana que flertou com o marxismo nos anos 1960 e 1970 — assume em 15 de agosto com o compromisso de virar a página de seis décadas de hegemonia do Partido Colorado, do ex-ditador Alfredo Stroessner. Mas, como outros esquerdistas do continente que chegaram ao governo pelas urnas, Lugo terá de fazer concessões ao centro para compor no Congresso uma maioria estável.

“Creio que ele será um presidente moderno, progressista, mas terá de negociar o tempo todo com o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA, de centro), que será o núcleo da base parlamentar”, é o diagnóstico do analista político paraguaio Alfredo Boccia. “Será a ‘perna conservadora’ do governo Lugo.” Milda Rivarola, outra comentarista, espera uma transição à moda da redemocratização no Brasil — lenta, gradual e segura. “O povo votou por uma mudança cuidadosa: um presidente com perfil de esquerda e um partido de centro (o PLRA) controlando o Parlamento.” A Aliança Popular para a Mudança (APC), coalizão ecumênica que elegeu Lugo, terá uma bancada modesta na Câmara dos Deputados e presença reduzida no Senado, onde os colorados devem continuar como o maior partido.

Carlos Mateo Balmelli, senador pelo PLRA e um dos nomes mais cotados para ser o futuro ministro das Relações Exteriores, reconhece as dificuldades e aconselha o presidente a não enveredar pelo caminho do tradicional “toma-lá-dá-cá” com os demais partidos. “O governo não pode cair na lógica do loteamento”, disse em entrevista ao jornal paraguaio ABC Color. “Temos é de fortalecer a autoridade do presidente como primeiro requisito para a governabilidade.” Mais até do que costurar uma base parlamentar, o novo chefe de Estado precisará lidar, no dia-a-dia da administração, com uma máquina pública metodicamente povoada pelo Partido Colorado, com base no clientelismo.

Itaipu à parte, Fernando Lugo terá no Brasil também o principal contraponto àquela que foi sua principal bandeira política, antes mesmo da candidatura à Presidência: o projeto de realizar uma profunda reforma agrária. As resistências se concentram nos brasiguaios, os fazendeiros (principalmente de soja) que dominam o campo. Segundo estimativas recentes, eles são cerca de 500 mil e, ao longo das décadas, cultivaram relações ambíguas com o país de adoção: conquistaram prosperidade que ficou concentrada, como a propriedade fundiária; e sempre mantiveram um “pé” no Brasil, tendência manifestada inclusive na preservação do português como idioma “de casa”.

“O Paraguai tem um modelo agrícola baseado no latifúndio dominado pelos brasiguaios plantadores de soja, que já anunciaram resistência à reforma agrária”, escreveu para a agência de notícias Adital, ligada a setores católicos de esquerda, Selvino Heck, assessor especial do presidente Lula e coordenador do Movimento Fé e Política, uma cria da Teologia da Libertação. Heck lembra ainda que o Paraguai tem o terceiro menor PIB per capita do continente (menos de US$ 2 mil), à frente apenas da Bolívia e da Guiana.

O embaixador de Cuba, Alberto Curbelo, e a embaixadora da Venezuela, Nora Uribe, estiveram entre as primeiras autoridades a se reunir com Fernando Lugo, depois de confirmada sua vitória na eleição de domingo passado. Mas um consenso entre os analistas parece ser o de que, embora Lugo tenha a imagem associada à do presidente venezuelano, Hugo Chávez, o Paraguai está longe de se tornar mais um vértice do “eixo” chavista, a exemplo da Bolívia de Evo Morales. “A esquerda paraguaia não tem uma história, uma tradição: nosso Parlamento nunca teve esquerda”, pondera Alfredo Boccia.

O que preocupa Lugo
O ex-bispo eleito presidente precisará demonstrar habilidade para agradar a sua base política, que reúne desde democratas-cristãos a militantes de extrema esquerda. Até o principal partido opositor, o Colorado, manifestou interesse em participar do governo.

A economia paraguaia cresceu 6,7% em 2007. Lugo quer mais receita de Itaipu para acelerar o crescimento. O Paraguai aproveita apenas 5% da energia da hidrelétrica, enquanto tem direito a 50%. Os 45% restantes são vendidos ao Brasil em operações que rendem cerca de US$ 300 milhões por ano. O futuro presidente deseja elevar esse valor para, pelo menos, US$ 1,5 bilhão.

Lugo deseja fazer uma reforma agrária histórica no Paraguai. Entre as medidas previstas, estão o cadastramento dos proprietários de terras e a divisão do território nacional em zonas de produção. A intenção do ex-bispo é dar melhores condições aos pequenos agricultores, preteridos quando o assunto é financiamento e acesso à terra.


Correio Braziliense País deve aproveitar facilidades do Brasil
Entrevista - LUIZ GONZÁLEZ ARIAS
João Cláudio Garcia
Minervino Júnior

O Paraguai precisa aproveitar melhor as facilidades que o Brasil tem a oferecer na relação bilateral. Essa é a opinião do embaixador paraguaio em Brasília, Luiz González Arias. Ele recebeu a reportagem do Correio para rebater a acusação de que o Paraguai “só entrou com a água” na construção da usina de Itaipu. Segundo o diplomata, o preço justo a ser pago pelos brasileiros sairá do diálogo entre Fernando Lugo e Lula.

Quais serão as principais dificuldades para o novo governo paraguaio?
Fernando Lugo terá boa chance de cumprir as promessas de campanha, terá governabilidade. Ele prometeu uma reforma agrária integral, precisará de dinheiro, de tempo. Se comprometeu também com os mais pobres, sobretudo na educação e na saúde. O governo entregará a casa em ordem. O crescimento econômico do Paraguai é inegável, a dívida externa é pequena, as reservas são elevadas. Lugo terá possibilidade de executar os projetos com mais facilidade, algo que o presidente Nicanor Duarte não conseguiu.

A reforma agrária deve ter impacto sobre os brasileiros?
O presidente eleito disse claramente que não precisa expropriar as terras que estão sendo trabalhadas. A intenção do futuro governo, pelo que entendi da campanha, é buscar uma forma de substituir a agricultura minifundiária por um sistema com mais cooperativas, fomentar culturas que permitam ao camponês ficar na terra. O atual modelo empresarial de produção é complicado porque o grande produtor tem crédito, tem facilidades, tem tudo. E os cidadãos do campo partem para a cidade, onde encontram dificuldades, pois não têm capacitação, formação.

O que deve ser mudado na questão de Itaipu? É preciso alterar o tratado?
Lugo e sua equipe querem mais benefícios de Itaipu. Se precisa mudar ou não o tratado, não sei. Uma equipe técnica está sendo formada, e o presidente Lula se comprometeu com uma mesa de trabalho. É a possibilidade de uma discussão amistosa, séria. Neste momento, falar o que devemos fazer é difícil, temos de escutar as partes.

A atual predisposição do Brasil para negociar representa uma mudança de postura?
É um passo positivo, mas não podemos esquecer que, durante o governo de Duarte, Paraguai e Brasil negociaram sobre Itaipu. Esperamos que o Congresso aprove o regime unificado das tarifas na fronteira. Está para ser aprovada a igualdade para o transporte terrestre internacional. Temos a possibilidade de começar a construção da segunda ponte. Precisamos aproveitar essa possibilidade de que o Brasil dê maiores facilidades ao país, financiamento. Precisamos de uma integração verdadeira, mais ampla.

Qual seria o preço justo que o Brasil deveria pagar ao Paraguai pela energia?
Acho que preço justo vai sair das negociações entre os países. Não sou especialista, mas temos pessoas capacitadas nos dois países. Dessa soma de argumentos dos dois lados sairá o preço justo. Estamos falando em igualdade de condições. Cada um entrou com a metade do rio. O financiamento do Brasil é tema que também está em discussão. Estamos falando de um aproveitamento ótimo da produção de Itaipu. Ótimo, para o Paraguai, significa melhor preço e aproveitamento.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquini, disse que o Paraguai entrou só com a água na construção da usina…

Se você enxerga do ponto de vista financeiro, o Brasil entrou com o dinheiro para a construção. Mas o que é a matéria-prima da hidrelétrica? É a água. Somos donos de metade da água. É simples. O financiamento poderia vir de outras fontes. A reclamação do Paraguai é de que a dívida de Itaipu, com base no fator de reajuste, subiu muito. Pagou-se muito dinheiro e, à medida que se pagava, a dívida subia.


Correio Braziliense Ponto a ponto - Ricardo Cotta
Superintendente da CNA diz que país tem condições de fornecer alimentos para o mundo
Superintendente da CNA diz que país tem condições

O Brasil tem condições de ser o grande fornecedor de alimentos do mundo e ajudar na redução dos elevados preços internacionais, se resolver os gargalos de infra-estrutura. Para o superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta, o país é um dos poucos que ainda tem espaço para elevar a área agricultável. Além disso, os agricultores estão dispostos a plantar mais para aproveitar os preços internacionais.

Em entrevista ao Correio, Cotta ressaltou que a redução do protecionismo nas economias desenvolvidas poderia baratear os preços para os países mais pobres. Ele aproveitou ainda para criticar o discurso de que a falta de alimentos do mundo está relacionada ao aumento da produção de biocombustíveis. “No Brasil, isso não condiz com a realidade. Quem fala isso desconhece a realidade agrícola brasileira”, destacou.

O superintendente disse ainda que o aumento dos juros pelo Banco Central não vai impactar em nada os preços dos alimentos. “Alimento é safra. É produzir mais para equalizar oferta e demanda”. Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

Agricultura pode crescer
Valter Campanato

“Alimento é safra. É produzir mais para equalizar oferta e demanda”

ABASTECIMENTO MUNDIAL

O Brasil é o único país do mundo com potencial para suprir a demanda crescente por alimentos. Teríamos até condições de influenciar na redução dos preços internacionais. Mas é preciso tempo. Isso não se consegue de um ano para outro.

APAGÃO LOGÍSTICO
Só conseguiremos abastecer o mundo com alimentos, se tivermos como escoar. É preciso resolver as questões portuárias e das vias de acesso. É preciso deixar de priorizar rodovias e olhar para as hidrovias. As ferrovias estão engatinhando. Com tantos problemas, fica difícil o Brasil se tornar o fornecedor de alimentos do mundo. Estamos tendo uma sobrevida porque há dois anos tivemos um baque na produção. Se a tendência de crescimento tivesse sido mantida nos últimos anos, teria ocorrido um apagão logístico. Agora, novamente, a perspectiva é de expansão. A colheita será de cerca de 140 milhões de toneladas — 9 milhões de toneladas a mais de grãos. Se o aumento fosse de 20 milhões de toneladas, o país travaria. Não daria para escoar a produção.

INEFICIÊNCIA NOS PORTOS
Em Paranaguá, existem, pelo menos, 40 navios esperando para atracar. É um absurdo porque o custo diário de um navio de 60 mil toneladas gira na casa dos US$ 50 mil. Normalmente, quando uma empresa envia produtos ao Brasil, já sabe que terá que aguardar pelo menos um mês para atracar e já embute isso no preço. É um volume muito grande de recursos indo para o ralo, o que poderia ser investido na renovação de todo o parque portuário.

DESPERDÍCIO
O foco é a falta de renda em alguns países pobres. Eles não têm dinheiro para comprar alimentos hoje em função de uma série de fatores que vão desde problemas políticos de organização do Estado à falta de oportunidades, provocada pelo alto protecionistmo internacional. A falta de alimentos está relacionada à renda e não ao desperdício. O desperdício vai ser cada vez menor quanto mais caro for o produto. Não há desperdício de relógio ou computador.

PROTECIONISMO
O problema do Brasil está mais relacionado ao dever de casa — principalmente, na questão de infra-estrutura — do que ao protecionismo. Em cenário de elevados preços internacionais, a cobrança de imposto de importação acaba sendo compensada. Mas é óbvio que uma eventual redução do protecionismo ajudaria inclusive a baratear os preços no mundo.

BIOCOMBUSTÍVEL
É a bola de vez para tomar porrada. No Brasil, não condiz com a realidade o discurso de que a produção de cana-de-açúcar para biocombustíveis estaria crescendo em detrimento à de alimentos. Isso não cola para nós. Quem fala isso desconhece a realidade agrícola brasileira.

RODADA DE DOHA
Acredito que todos os países desenvolvidos estão pressionados para uma liberalização do mercado agrícola mundial em função da rodada de Doha. Ou ela vai se resolver nos próximos dois meses ou não se resolve. Estamos num momento crucial. Como os preços dos alimentos estão muito altos, a diminuição dos impostos de importação beneficiaria a população local que poderia comprar produtos mais baratos.

INFLAÇÃO DOS ALIMENTOS
Houve uma transferência de renda de produtores para consumidores. Foi mais de R$ 1 trilhão ao longo de 30 anos, devido a queda dos preços agrícolas. No médio prazo, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) desmembrado mostra que os alimentos subiram menos do que outros bens não-agrícolas. Nos últimos seis meses, isso se inverteu para alguns produtos alimentícios. Só que se omite o médio e o longo prazos. O que estamos vendo é mais um movimento de recuperação. O aumento de juros do BC não vai impactar em nada os preços dos alimentos. Alimento é safra. É produzir mais para equalizar oferta e demanda


Correio Braziliense Localidades em alerta vermelho
Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Ceará preocupam pesquisadores. Depois de uma fase de quatro anos de calmaria, regiões podem ter entrado em novo ciclo de abalos sísmicos
Renata Mariz

Embora tenha atingido magnitude relevante, de 5,2 graus na escala Richter, o tremor no oceano sentido em quatro estados esta semana não preocupa os pesquisadores. As atenções estão mais voltadas para duas áreas habitadas, consideradas grandes fontes sísmicas no país: o norte do Mato Grosso e a Bacia Potiguar, que abrange os estados do Rio Grande do Norte e Ceará. São nessas localidades que o alerta vermelho das centrais sismológicas permanecem ligados. Especialistas acreditam que o Brasil entrou, há cerca de quatro anos, em um novo ciclo de terremotos, após um período de calmaria.

“Não existe uma explicação fechada sobre o assunto, mas trabalhamos com a idéia de períodos. Você teria um ciclo de acúmulo de forças nas camadas da terra onde há falhas e, depois, uma dissipação dessas forças. É nesse momento que ocorrem os tremores”, afirma Joaquim Mendes Ferreira, coordenador do Laboratório de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ele destaca que o último ciclo no país foi de 1986 a 1991. “Nesse período, houve atividade sísmica em mais de 14 localidades só do Nordeste.” O ciclo atual teria se iniciado em 2002.

Para se ter idéia, no Ceará, já foram 750 tremores desde o começo deste ano. Na cidade de Sobral, supreendida por um abalo de 3,9 graus em fevereiro passado, a população dorme em barracas com medo de um novo abalo. O diretor do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, Colombo Tassinari, explica que o Nordeste, assim como o Mato Grosso, tem falhas geológicas, já mapeadas pelos pesquisadores, que provocam os sismos. “Há estudos de uma boa parte do país, mas na Amazônia, por exemplo, não temos um controle geológico”, diz.

Tremores esquecidos
Em locais ermos, sem habitações, os tremores muitas vezes nem se tornam públicos. Um abalo de 6,1 graus na escala Richter, em outubro passado, sacudiu a divisa do Acre com o Amazonas sem grande notoriedade. Da mesma forma, o maior tremor de terra do Brasil, de 6,6 graus, em Porto dos Gaúchos (MT), no ano de 1955, não é muito lembrado por não ter deixado vítimas.

Entretanto, o cenário atual no município, fonte de preocupação dos especialistas, está bem diferente. “Naquele tempo não havia cidades naquela área do Mato Grosso. Mas um terremoto de mais de 6 graus em Porto Gaúchos hoje pode causar grandes estragos por conta da densidade demográfica”, diz Lucas Vieira, chefe do Laboratório de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB). De março de 1998 a dezembro de 2002, o especialista detectou 3 mil sismos na localidade, que hoje tem população de 6 mil pessoas.

A UnB opera uma rede com aproximadamente 50 estações instaladas no país. Um projeto para criar mais 40, e distribuí-las uniformemente pelos estados, foi apresentado na semana passada ao governo federal. Mas não houve acerto formal de parceria. Um estudo mais adiantado é patrocinado pela Petrobras, em parceria com o Observatório Sismológico Nacional, no Rio de Janeiro, e com a UFRN, na capital potiguar.


Folha de São Paulo CET interdita rua para reconstituição do caso Isabella

A CET (Companhia de Engenharia do Tráfego) interditou por volta da meia-noite deste domingo (27) a rua Santa Leocádia, na Vila Isolina Mazzei (zona norte de São Paulo), para a reconstituição da morte da menina Isabella Nordoni, 5, que acontece hoje.

Isabella foi jogada do sexto andar do edifício London no final da noite de 29 de março. A reconstituição está marcada para começar às 9h e pode se estender por até dez horas.

A partir das 7h do domingo o espaço aéreo ficará bloqueado em um raio de 1,5 km do prédio. Na noite de sexta-feira (25) a Aeronáutica emitiu o Notan (Notice to Airmen, aviso aos navegantes, em português) proibindo o vôo de helicópteros, balões e aviões das 7h às 22h.

Policiais civis e militares estão no local para controlar o acesso de pessoas. Só têm direito a circular na rua moradores e prestadores de serviço e seus respectivos veículos.

O esquema montado pela polícia prevê ainda bolsões para que as pessoas acompanhem o trabalho da perícia. Eles ficarão a 60 metros do ponto onde estará montada a área reservada aos jornalistas, um próximo à rua Mandaguari e à avenida General Ataliba Leonel.

A polícia cadastrou moradores para facilitar o acesso à rua e evitar que outras pessoas tenham acesso ao local. Caso as pessoas tentem furar o bloqueio, podem ser encaminhadas a delegacias de polícia da região e responder por desacato a autoridade.

Reconstituição
Os responsáveis pela investigação do caso consideram fundamental a reconstituição. Através dela, por exemplo, será possível confirmar a tese defendida pela Polícia Civil, a de homicídio praticado pelo pai da garota.

O fechamento do espaço aéreo é necessário, segundo a Polícia Civil, para não prejudicar a reconstituição dos fatos que resultaram na morte da garota, asfixiada e jogada do sexto andar do prédio enquanto passava o fim de semana com o pai, Alexandre Nardoni, e com a madrasta, Anna Carolina Jatobá-indiciados pela polícia por homicídio doloso (com intenção) com três agravantes: motivo fútil, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. O casal nega envolvimento no crime.

Nardoni e Jatobá não irão participar da encenação por recomendação dos advogados de defesa. Com isso, policiais civis com portes físicos parecidos com os do casal farão a reconstituição.

A expectativa é de que o inquérito que investiga as circunstâncias em que ocorreu a morte da garota seja concluído no prazo de 30 dias, que vencem na próxima terça-feira (29).

Apenas o edifício London e parte de um prédio vizinho serão utilizados na reconstituição. Fatos anteriores da chegada do casal ao estacionamento do edifício --entre eles compras em um hipermercado-- e a visita do casal à casa dos pais de Anna Carolina, em Guarulhos (Grande São Paulo), não serão refeitos.

A encenação começará dentro do estacionamento do prédio. Após a saída do estacionamento será utilizado um dos elevadores que levam ao sexto andar, onde está localizado o apartamento. Serão gravadas imagens da saída do elevador até a porta do apartamento, sala e quarto, principais cenas do crime. De lá, o elevador é novamente utilizado até o acesso ao jardim do prédio parte da rua defronte ao edifício.

Para simular a presença dos filhos do casal, serão utilizados bonecos, assim como foi feito pela Polícia Técnico-Científica para simular a morte de Isabella durante o recolhimento de materiais que resultaram nos laudos.
Em determinados momentos, nem mesmo os delegados responsáveis pelo caso estarão presentes devido ao exíguo espaço de alguns locais. A prioridade é para os peritos e equipamentos que eles utilizarão.


Folha de São Paulo Governador norte-americano confia em reativação de acordo humanitário na Colômbia

O governador do Estado americano do Novo México, Bill Richardson, se declarou "otimista" em relação à possibilidade de reativar as negociações para um acordo humanitário na Colômbia depois de se reunir em Caracas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Richardson, que manteve uma reunião de mais de hora e meia com o governante venezuelano, qualificou de "produtivo" e "positivo" o encontro, no qual estiveram presentes o embaixador dos EUA na Venezuela, Patrick Duddy, e o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.

"Simplesmente estou otimista em relação a retomarmos as discussões sobre o acordo humanitário", disse durante sua saída do Palácio presidencial de Miraflores, onde aconteceu a reunião.

O governador do Partido Democrata, em breves declarações à imprensa, manifestou que Chávez tinha lhe dito que está "disposto a ajudar" para retomar o caminho do acordo.
Além disso, destacou que seu único interesse são os reféns seqüestrados pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia): três americanos, a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e mais de 400 colombianos.

"Todos são reféns merecem estar livres", disse Richardson, que falou em espanhol e em inglês com a imprensa.

O governador do Novo México insistiu em que ele não era "um enviado do governo dos EUA", nem da OEA (Organização dos Estados Americanos), mas "um enviado dos familiares dos seqüestrados", e não só dos seqüestrados americanos.

Agradeceu a atenção do governo venezuelano, especialmente do chanceler Maduro, assim como a do embaixador americano, e afirmou que retorna aos EUA com o propósito de tentar ajudar na via do acordo que permita uma troca humanitária.

Richardson disse que se reuniu recentemente com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que, disse, "também está disposto a ajudar", e que falou com as autoridades francesas.

"O governo americano quer movimento em relação à libertação dos reféns", comentou o governador, que se declarou especialmente preocupado com a saúde de Ingrid Betancourt.

Richardson indicou que ia falar também com a senadora colombiana Piedad Córdoba, que, da mesma forma que Chávez, foi suspensa no mês de novembro do ano passado por Uribe em seu papel de mediadora para uma troca humanitária entre reféns e guerrilheiros presos.

O governador americano não deu detalhes sobre que tipo de ajuda poderia dar Chávez para reativar os contatos.

Em declarações horas antes, o presidente venezuelano tinha dito que não sabia se poderia ajudar na tarefa de alcançar os objetivos colocados por Richardson.

"Não sei se poderei continuar ajudando neste tema, porque para ajudar é preciso que as partes que estão no problema aceitem a ajuda", disse Chávez em referência ao veto de Bogotá para que desempenhe um papel mediador.

Os três americanos cuja liberdade é defendida por Richardson foram capturados pelas Farc quando o avião no qual efetuavam um rastreamento eletrônico nas selvas do sul da Colômbia caiu.

Em janeiro e fevereiro, a guerrilha colombiana libertou seis de seus reféns de forma unilateral e os entregou a Chávez em "desagravo" por ter sido afastado da mediação pelo presidente colombiano.

As já deterioradas relações entre Bogotá e Caracas sofreram um novo colapso em março, após o ataque militar colombiano contra um acampamento das Farc em território do Equador, no qual morreram 26 pessoas, entre elas o porta-voz da guerrilha, Raúl Reyes, um equatoriano e quatro universitários mexicanos.

A crise começou a ser solucionada após a cúpula do Grupo do Rio no mês passado em Santo Domingo, capital da República Dominicana, mas as Farc advertiram que não farão mais libertações unilaterais.

Além disso, reiteraram sua exigência a Uribe, que a rejeita, que desmilitarize os municípios de Pradera e Florida para negociar uma troca humanitária de 39 reféns --entre os quais estão os três americanos-- por cerca de 500 guerrilheiros presos.

A visita a Caracas do governador do Novo México acontece dias antes da já anunciada viagem do ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, à Colômbia, Equador e Venezuela na próxima semana.

Kouchner abordará com seus interlocutores a "urgência de uma solução humanitária" que leve à libertação dos reféns das Farc, incluindo Ingrid Betancourt, após o fracasso da missão enviada pela França, Espanha e Suíça à Colômbia para tentar contato com a guerrilha


Folha de São Paulo Dois grupos reivindicam autoria de ataques durante desfile no Afeganistão

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, saiu ileso neste domingo de uma ataque, reivindicado tanto pelos talebans como por um grupo armado relacionado à Al Qaeda, e realizado quando começava o desfile de comemoração pela vitória mujahedin contra o Governo comunista apoiado pelos soviéticos.

Uma pessoa morreu e 11 ficaram feridas no ataque --cujas características ainda não estão claras--, informou à Agência Efe o porta-voz do Ministério da Defesa, Zahir Azimi, que não disse quem foram as vítimas.

O porta-voz taleban Zabiullah Mujahid assegurou à Efe que seis insurgentes do grupo tinham atacado durante a cerimônia com rifles de assalto e que três deles morreram no tiroteio que se seguiu, enquanto os outros escaparam para um "lugar seguro".

Segundo Mujahid, os talebans lançaram seu ataque cerca de 30 metros do palanque no qual Karzai e outros dignatários presenciavam o grande desfile militar, que foi interrompido enquanto milhares de pessoas fugiam apavoradas.

A autoria do ataque também foi atribuída ao líder radical afegão Gulbudin Hekmatiar, um ex-mujahedin que agora está associado à rede terrorista Al Qaeda.

Um porta-voz de Hekmatiar disse à rede de televisão privada Tolo que seus homens tinham atacado durante a cerimônia com foguetes a partir de uma casa situada a cem metros de Karzai.

Pouco após ser retirado do local por seus guarda-costas, Karzai apareceu na televisão para confirmar que estava bem e anunciar que vários agressores tinham sido detidos.

O porta-voz da Defesa não pôde confirmar quantas pessoas foram detidas nem a que grupo insurgente pertencem.

O ataque aconteceu poucos minutos após começar a cerimônia de comemoração da vitória dos mujahedins afegãos contra o Governo comunista apoiado pela União Soviética, em 1992, e se confundiu com o som das salvas de canhão e o hino que era executado no momento.

As tropas soviéticas se retiraram do Afeganistão em fevereiro de 1989, após dez anos de ocupação e conflitos contra diferentes grupos de mujahedins, dos quais o de Hekmatiar foi o que mais ajuda externa recebeu.

Outros grupos de antigos mujahedins têm uma forte presença no Parlamento e no Governo de Karzai e a cada ano lembram com um desfile em Cabul sua vitória contra o comunismo.

Na década de 1990, os talebans se levantaram em armas contra o Governo dos mujahedins, após vários anos de uma sangrenta guerra civil entre as diferentes facções que tinham lutado contra a URSS, afundando o país no caos.


Folha de São Paulo Tiros obrigam Karzai a abandonar palanque durante desfile no Afeganistão

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, abandonou neste domingo (27) o palanque de onde presenciava um desfile militar após serem ouvidos tiros, segundo imagens divulgadas ao vivo pela televisão afegã.

Minutos após começar o desfile para comemorar a vitória dos mujahedins afegãos contra os ocupantes soviéticos, foram ouvidos alguns disparos, que forçaram a retirada de Karzai e outros membros do governo presentes no ato.

Pouco depois, o porta-voz taleban Zabiullah Mujahid assegurou à Efe que seis insurgentes tinham atacado a cerimônia.

Três deles morreram no tiroteio, enquanto os outros três conseguiram escapar para um "lugar seguro", descreveu o porta-voz, que não disse se os agressores causaram alguma baixa durante o ataque.

Os antigos mujahedins afegãos têm uma forte presença no Parlamento e no governo de Karzai e cada ano lembram com um desfile em Cabul sua vitória contra a União Soviética, que invadiu o país em 1979 e se retirou dez anos depois.

Na década de 1990, os talebans se levantaram em armas contra o governo dos mujahedins, após vários anos de guerra civil entre as diferentes facções que tinham lutado contra a URSS.


Folha de São Paulo Cidades que mais desmatam lideram crimes na Amazônia
Violência aparece em 39 das 50 cidades com maior índice de devastação na região
EDUARDO SCOLESE

Os municípios que mais desmatam na região amazônica são também os que mais registram trabalho escravo e violência no campo. O avanço da pecuária na área acompanha o ritmo da queda das árvores.
Essas relações foram detectadas pela Folha a partir do cruzamento de dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do Ministério do Trabalho e da CPT (Comissão Pastoral da Terra).

A reportagem teve acesso a levantamento do Inpe que identifica o total desmatado de agosto de 2004 a julho de 2007 em 601 cidades da Amazônia Legal (Estados do Norte, além de Mato Grosso e Maranhão).

No ranking dos 50 municípios que mais extraíram madeira no período, sendo 23 em Mato Grosso e 20 no Pará, a violência no campo aparece em 39 deles, com crimes ligados a conflitos fundiários e flagrantes de trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Os municípios "top 50" do desmate acumularam a média de um assassinato entre 2004 e 2007, índice sete vezes acima do registrado na região amazônica (0,14), segundo a CPT.

Os campeões na derrubada de árvores também estão à frente nos flagrantes de trabalho escravo, ou seja, quando, além de ser submetido a situações degradantes, o trabalhador é impedido fisicamente de deixar a propriedade.

Entre 2004 e 2007, a média nesses 50 municípios foi de 109 trabalhadores resgatados pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho. Na Amazônia, no mesmo intervalo, a média geral dos municípios foi de 16 pessoas flagradas nessas condições.

Gigante
No topo da lista do desmate está o gigante paraense São Félix do Xingu, município com área equivalente à soma dos Estados de Alagoas e do Rio Grande do Norte (84,2 mil km2).

Nele, em três anos, foram devastados 2.812 km2, com quatro assassinatos e 291 trabalhadores resgatados.

"Onde tem desmatamento ilegal, onde tem grilagem de terra, tem madeireiras e tem morte. A vinculação é realmente essa", afirma Ailson Machado, assessor de mediação de conflitos agrários da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência.

"O trabalho escravo vem junto, porque eles [proprietários ou grileiros] usam essas pessoas, a maioria delas migrantes, para abrir a mata. Quando termina o desmate, ou elas ficam expostas à violência, sem trabalho, ou são levadas para outras áreas para serem exploradas", completa.

O avanço do desmatamento na Amazônia também coincide com o crescimento da pecuária. Entre os 50 municípios da região que, segundo dados do IBGE, mais avançaram na quantidade de cabeças de gado entre 2003 e 2006, 29 deles também integram os top 50 na derrubada da floresta.

Colniza (MT) é um exemplo. No extremo noroeste do Estado, na divisa com Amazonas e Rondônia, a cidade aparece em quarto no ranking do desmate, com 982 km2 derrubados, 115,9 mil novas cabeças de gado e dois assassinatos, em três anos.

No mesmo intervalo, Confresa, município no nordeste mato-grossense, seguiu uma linha semelhante, com 270 km2 de desmate, 114,6 mil novas cabeças de gado e 1.013 trabalhadores flagrados em situação análoga à escravidão. "A gente lamenta, mas tem pessoas que ainda estão fazendo isso. Se aproveitarem as áreas já abertas, não precisam desmatar", diz o pecuarista Nerci Wagner, presidente do sindicato rural de Confresa.

Entre os top 50 do desmatamento, houve um crescimento médio de 90,9 mil cabeças de gado, contra 15,7 mil em toda a região amazônica, uma diferença de 579%.

Valor da floresta
Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, o que acontece é que o desmate é uma resposta ao que classifica de baixo valor econômico da floresta. A entidade rejeita a relação entre a violência no campo e a atividade econômica.

José Batista Afonso, advogado da CPT do Pará e integrante da coordenação nacional do braço agrário da Igreja Católica, afirma que a relação entre o desmatamento e a violência no campo não é coincidência.

"Não existe coincidência, e sim uma relação. Na Amazônia, especialmente no Pará, a atividade da pecuária sempre foi a campeã na utilização de mão-de-obra do trabalho escravo. E, se existe expansão da pecuária, há também a expansão da área de desmatamento", declara Afonso, advogado da CPT.


Jornal de Brasília Conferência Nacional reunirá 2 mil jovens em Brasília a partir de amanhã

Dois mil jovens de todo o país estarão em Brasília amanhã (27) para participar da 1ª Conferência Nacional da Juventude. O evento se estenderá até o dia 30. Eles apresentaram cerca de 4,5 mil propostas discutidas em conferências estaduais, realizadas em fevereiro e março.

As propostas foram divididas em 16 áreas: educação, trabalho, cultura, saúde e sexualidade, participação política, meio ambiente, segurança e direitos humanos, diversidade e políticas afirmativas, esporte e lazer, fortalecimento institucional da política da juventude, mídia e tecnologia da informação, drogas, cidades, família, campo, povos e comunidades tradicionais.
De acordo com o coordenador do evento, Danilo Moreira, as propostas, agora resumidas em 548, servirão de plataforma para a política nacional da juventude. A plenária final escolherá 21 prioridades.

“Ela [a resolução final que sairá do evento] terá uma força muito grande porque foi fruto de um debate intenso em várias etapas preparatórias e passará a ser um instrumento para a ação do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), e dos governos federal, estaduais e municipais”, avaliou.

Além das conferências estaduais, ocorreram também conferências livres em presídios, aldeias indígenas, organizações desportivas e em unidades de internação de menores. “As propostas encaminhadas por essas conferências livres ajudaram muito na qualificação do material. Isso é um ganho enorme, esses jovens puderam debater e interferir nessas políticas”, disse o coordenador da conferência.

Ele acredita que as 21 prioridades podem servir de subsídio para programas eleitorais de candidatos das próximas eleições municipais e até mesmo reorientar alguma ação do governo federal que envolva a juventude. “As decisões podem inclusive pressionar positivamente votações na Câmara que dizem respeito à juventude e servirem como referência para os próprios movimentos juvenis se organizarem em torno dessas bandeiras ”, previu.

Para a vice-presidente do Conjuve e integrante da Organização Não-Governamental (ONG) Ação Educativa, Maria Virgínia Freitas, a conferência terá o papel de fazer um levantamento das demandas dos jovens. “O nosso principal é objetivo é justamente a priorização desse cojunto de propostas. Então veremos como o governo responderá a isso e, daqui a dois anos, vamos conferir o que foi feito”, explicou.


Jornal de Brasília Tropas colombianas são atacadas pelas Farc a partir de território equatoriano

Tropas colombianas foram atacadas a partir de território equatoriano com cilindros-bomba, que feriram um soldado, segundo denúncias de fontes militares em Bogotá e no departamento sulista de Putumayo.

O ataque teria sido feito por supostos rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e foi registrado na localidade equatoriana de Pueblo Nuevo em direção à região colombiana de Teteyé, segundo as fontes.

As tropas colombianas foram atacadas quando prestavam assistência a um grupo de engenheiros em atividades de prospecção petrolífera, em um ponto da selva do departamento (estado) de Putumayo, a cerca de 700 quilômetros ao sudoeste de Bogotá.

O general Mario Montoya, comandante do Exército colombiano, em Bogotá, e o também geral Octavio Ardila, da IV Divisão militar, de Putumayo, denunciaram a ação contra as tropas na zona de fronteira.

Os soldados atacados foram atingidos por vários dos cilindros-bomba, repletos de estilhaços e três dos artefatos que não explodiram ficaram em poder das tropas, observou o general Ardila.

Nessa região limítrofe com o Equador atuam guerrilheiros da frente 48 das Farc.

O general Montoya informou que a ação foi comunicada à Chancelaria, para que, por sua vez, seja transmitida às autoridades e às Forças Militares equatorianas.

"Esperamos que esta situação não continue. É delicado para tropas colombianas e para as companhias que exploram petróleo nessa região", disse o general Montoya.

Um informante, desmobilizado das Farc revelou hoje ao canal "RCN" de televisão, que essa guerrilha, "do Equador", planeja e lança ataques a tropas colombianas que se encontram perto da divisa entre os dois países

No dia 1º de março tropas colombianas realizaram uma incursão militar contra um acampamento das Farc em território equatoriano, situado a menos de dois quilômetros da fronteira, durante o qual morreram 26 pessoas, entre elas "Raúl Reyes", porta-voz internacional da organização.

Dois dias depois da operação, o presidente do Equador, Rafael Correa, rompeu relações diplomáticas com a Colômbia.



O Estado de São Paulo Austrália vai retirar 200 soldados do Timor-Leste
O país comanda a Força Internacional de Segurança, solicitada para sufocar a violência

SYDNEY - O primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, disse este fim de semana que a situação noTimor-Leste, após as tentativas de assassinato do presidente e do primeiro-ministro do país, José Ramos Horta e Xanana Gusmão, respectivamente, voltou à normalidade e anunciou a retirada de 200 soldados, para deixar ali uma tropa de 750 militares.

"O primeiro-ministro Gusmão me escreveu respaldando a decisão. Agradeceu à Austrália sua assistência após os ataques", detalhou o trabalhista Rudd.

O dirigente australiano reiterou o compromisso de seu país com o Governo timorense e com a ONU para ajudar a jovem nação a manter a segurança e a enfrentar outros desafios.

A Austrália comanda a Força Internacional de Segurança, na qual participam Malásia, Nova Zelândia e Portugal, que o Timor-Leste solicitou em maio de 2006 para sufocar a espiral de violência que ameaçava desembocar em uma guerra civil.

Desde então, a força internacional permanece no país e a ONU retornou a essa antigo colônia portuguesa para ajudar as autoridades Nacionais.


O Estado de São Paulo Separatistas tâmeis atacam instalações militares cingalesas
O bombardeio tâmil segue a outro lançado no sábado pelo Exército contra posições de artilharia da guerrilha

NOVA DÉLHI - Os rebeldes separatistas tâmeis lançaram esta madrugada um ataque aéreo contra instalações do Exército do Sri Lanka, informou neste domingo uma fonte militar, que disse que o bombardeio não causou nenhum dano.

A aviação tâmil lançou três bombas contra posições do Exército em Welioya, no nordeste da ilha, "sem causar dano ao Exército", assegurou o Ministério da Defesa em comunicado.
A site "Tamilnet" informou que esta é a segunda vez desde outubro de 2007 em que os rebeldes lançam um ataque combinado por terra e ar contra o Exército cingalês.

O bombardeio tâmil segue a outro lançado no sábado pelo Exército contra posições de artilharia da guerrilha também em Welioya, em uma semana que registrou fortes combates no norte do país nos quais morreram uma centena de rebeldes tâmeis e 43 soldados, segundo a Defesa, que também informou do desaparecimento de 33 militares.

Outros 64 civis faleceram na explosão de uma bomba em um ônibus da cidade de Piliyandala, cerca de 15 quilômetros ao sul de Colombo, capital do país, em um atentado pelo qual oito pessoas foram interrogadas, segundo a Polícia.


O Estado de São Paulo O site dos EUA que sentiu o terremoto de SP
Segundos após o tremor, agência USGS já trazia informações sobre intensidade e epicentro
Célia Almudena

Enquanto milhares de paulistanos se assustavam na terça-feira com o terremoto de 5,2 graus na escala Richter, cientistas da Sociedade Geológica dos Estados Unidos (USGS, sigla em inglês) já reuniam informações sobre o evento. Qualquer catástrofe natural que aconteça no local mais remoto do planeta é logo destrinchada no site da entidade para internautas leigos. E, não por acaso, a USGS é chamada de "agência do fim do mundo".

O terremoto que atingiu quatro Estados brasileiros na semana passada acendeu a luz vermelha. A falta de informações fermentou a sensação de agonia. Não para algumas centenas de internautas, que logo desembocaram no site www.usgs.gov. Lá, segundos após o evento, já havia informações sobre intensidade, localização do epicentro (a 218 km de São Vicente) e profundidade do terremoto.

O pior terremoto do País nos últimos anos mostrou que não estamos preparados para desastres naturais. No dia seguinte ao abalo, uma reunião em Brasília discutiu a criação de uma rede nacional sismográfica. O chefe do Departamento de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB), Lucas Barros, apresentou aos assessores do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência o projeto de uma rede de 40 estações de monitoramento. "Hoje, é difícil registrar os sismos pequenos. As estações que existem estão distribuídas de maneira disforme e os instrumentos, ultrapassados", explicou Barros.

A USGS não enfrenta essa dificuldade. Uma das muitas entidades vinculadas à Agência Federal para o Gerenciamento de Emergências (Fema) do governo americano, ela foi fundada em 1879. É uma agência científica que estuda paisagens e territórios, principalmente dos Estados Unidos. Sua abordagem multidisciplinar reúne biologia, geografia, geologia, além de informações geoespaciais e oceanográficas.

A USGS acredita que a ciência é a melhor forma de manter a população preparada para adversidades, além de sustentar a economia, a segurança nacional, a qualidade de vida e o meio ambiente. Assim, seu site traz em linguagem simplificada tópicos científicos de importância, como análises geoespaciais e recursos naturais, sem esquecer de temas atuais, como aquecimento global e queimadas. Além de registros históricos muito interessantes. Com alguns cliques, o internauta que domina o inglês descobre que o terremoto mais mortífero registrado no mundo aconteceu em 23 de janeiro de 1556, na China. Com cerca de 8 graus na escala Richter (num máximo de 9), deixou 830 mil mortos.

GRÁFICOS
Também é possível entender, por meio de gráficos didáticos, como o terremoto de 26 de dezembro de 2004 em Sumatra deu origem ao tsunami que afetou 14 países no sul da Ásia e leste da África. Ou navegar para páginas de parceiros, como o Instituto Smithsonian, e encontrar fotos e informações dos terremotos históricos desde 1900.

A importância de acompanhar as mudanças climáticas ganha espaço por causa do aquecimento global. Recentemente, a ONU alertou que prejuízos causados por condições extremas do clima podem ultrapassar US$ 1 trilhão em um único ano até 2040

Friday, April 25, 2008

 
Correio Braziliense PADRE DESAPARECIDO
Buscas são encerradas

A Marinha e a Aeronáutica encerraram ontem as buscas pelo padre Aderli de Carli, que desapareceu no domingo quando voava auxiliado por mil balões enchidos a gás hélio. O prazo normalmente seguido de 72 horas foi encerrado às 21 horas de quarta-feira, mas a Marinha manteve as buscas com navios e com o helicóptero até o fim da manhã desta quinta. Nenhum sinal do padre foi encontrado nas últimas horas. O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) já encerrara as buscas na noite de quarta-feira. De acordo com o comandante do grupo de radiopatrulha área da Polícia Militar de Santa Catarina, Nelson Henrique Coelho, as chances de encontrar o padre Aderli de Carli com vida são quase impossíveis.

Correio Braziliense PARAGUAI
Alencar reclama de reajuste
Para o vice de Lula, Brasil “fez tudo” na hidrelétrica de Itaipu e sua solidariedade tem limite. Presidente da Empresa de Pesquisa Energética diz que país vizinho colaborou “apenas com a água”

O vice-presidente, José Alencar, e autoridades brasileiras do setor energético alertaram o governo sobre os riscos de um reajuste exagerado na tarifa paga ao Paraguai pela energia gerada em Itaipu. Alencar disse que o Brasil tem sido “generoso” com os vizinhos da América do Sul, mas esse “espírito de solidariedade tem limite”. Já o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, foi bem mais crítico às pretensões paraguaias. Indagado sobre a validade do pleito de Assunção, ele disparou: “É importante entender que, no fundo, nesse processo todo, o Paraguai entrou apenas com a água e que metade do rio (Paraná) é do Paraguai e metade é do Brasil”.

Alencar manifestou discordância com o aumento tarifário proposto por Fernando Lugo, ex-bispo que conquistou a presidência paraguaia na eleição do último domingo. Segundo ele, o Brasil “fez tudo” na usina. “Foi o Brasil que colocou os recursos que deveriam ser colocados pelo Paraguai. Então, a empresa nasceu com a ajuda do Brasil ao Paraguai, nasceu com a ajuda tecnológica do Brasil, com o know-how do Brasil em matéria de hidrelétricas”, afirmou. “O Brasil não está fazendo isso subservientemente. Está dando todo esse apoio ao Paraguai, à Bolívia, a esses países da América do Sul tendo em vista suas condições em relação às condições deles. Há um espírito de solidariedade. Agora, isso, obviamente, tem limite”, acrescentou o vice-presidente.

Tolmasquim, que participou ontem de uma audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, argumentou que Itaipu custou US$ 12 bilhões, e o Paraguai participou apenas com US$ 50 milhões. O restante, de acordo com ele, foi financiado pelo Brasil, que teve de levantar capital emprestado nos mercados interno e externo. “O Paraguai ganhou um empreendimento que hoje vale cerca de US$ 60 bilhões. Então, metade do empreendimento equivale a algumas vezes o PIB do Paraguai, sendo que a contribuição dele para o processo foi o fato de estar na fronteira com o Brasil”, assinalou.

O Brasil utiliza hoje 95% da energia de Itaipu. Os 5% restantes ficam com o Paraguai. O Tratado de Itaipu, firmado em 1973, estabelece que cada país tem direito a metade da energia produzida. Porém, os paraguaios não utilizam grande parte de sua parcela e vendem o excedente aos brasileiros, que pagam US$ 45,31 por MW/h, dos quais pouco mais de US$ 42 vão para a amortização de dívidas. O restante fica com o governo paraguaio, em recursos que rendem pouco mais de US$ 300 milhões por ano. Lugo, que toma posse em 15 de agosto, anunciou que o “preço justo” seria o de mercado, equivalente a US$ 1,5 bilhão anuais, pelo menos.

O presidente da estatal Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, garantiu ontem que as negociações com Lugo não afetarão os acionistas minoritários da empresa. Ele citou até a possibilidade de que recursos do Tesouro Nacional sejam liberados para evitar possíveis prejuízos à Eletrobrás. “Nenhuma solução será adotada de forma a criar problema para o acionista privado, para quem investiu os seus recursos lá (na Bolsa). Se houver alguma coisa que afete a organização (Eletrobrás), teremos de resolver no nível do governo”, declarou Muniz Lopes, no Clube de Engenharia do Rio de Janeiro.

Entre a fé e o poder
O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, recebeu ontem o representante do Vaticano em Assunção, o núncio apostólico Orlando Antonini (E), que lhe entregou um presente do papa Bento XVI, mas evitou se pronunciar sobre o dilema imposto pela vitória do ex-bispo: a Igreja Católica se opõe aos clérigos que assumem cargos políticos. “O Vaticano tem uma posição sobre o caso de Fernando Lugo e a divulgará brevemente por meio de um comunicado”, disse o diplomata depois do encontro. O futuro presidente reconheceu que, para a Santa Sé, é “um bispo rebelde”, mas quer “continuar pertencendo a essa Igreja”.


Correio Braziliense CRISE DIPLOMÁTICA
Colômbia protesta contra o Equador

O chanceler colombiano, Fernando Araújo, antecipou ontem que seu país prepara uma nota de protesto contra o presidente do Equador, Rafael Correa, por declarações feitas na véspera sobre possível reconhecimento político das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Correa, que rompeu relações com o país vizinho em 3 de março, depois que militares colombianos bombardearam um acampamento das Farc em território equatoriano, disse ainda que o colega Álvaro Uribe é “o último a querer a paz” com a guerrilha.

“As Farc estimulam a produção de drogas na Colômbia e violam as leis equatorianas negociando cocaína por lá. Tudo que façamos para derrotar esses terroristas ajudará imensamente ao Equador”, respondeu Uribe. “Um governo democrático, como o do Equador, não pode parecer interessado em dar o status de força beligerante a um grupo terrorista — isso não podemos aceitar”, reforçou Fernand Araújo. O ministro lembrou que a crise entre os dois países foi tratada em reunião de chanceleres na Organização dos Estados Americanos (OEA), quando ambas as partes se comprometeram a evitar pronunciamentos que pudessem agravar as tensões políticas. Por isso, o protesto será encaminhado também à OEA, para caracterizar o descumprimento do acordo por parte de Quito.

Falando à emissora (estatal) de TV venezuelana VenTV, Correa se dirigiu ao comando das Farc e pediu à guerrilha colombiana que “liberte incondicionalmente todos os reféns em seu poder e acate as convenções de Genebra (sobre crimes de guerra) para que seja reconhecida como força beligerante e se torne um interlocutor válido”. O presidente equatoriano, porém, atacou o colega colombiano, cuja popularidade atingiu a marca recorde de 84% após o rompimento — em boa parte, porque o ataque ao acampamento rebelde matou o segundo homem na hierarquia das Farc, Raúl Reyes.

“O melhor negócio para o governo de Uribe é essa guerra. A última pessoa que quer a paz com as Farc é Álvaro Uribe”, provocou Correa, tido como aliado do presidente venezuelano, Hugo Chávez, por sua vez acusado de apoiar as Farc — a quem o Parlamento de Caracas concedeu no mês passado o status de “força beligerante”. De acordo com o direito internacional, esse reconhecimento político permite que a guerrilha colombiana mantenha escritórios e representantes públicos na Venezuela, embora seja classificada como organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Européia.

A chancelaria equatoriana respondeu às queixas alegando que teriam sido publicadas “versões distorcidas” do pronunciamento de Rafael Correa. Segundo nota, as declarações do presidente “reiteram a política do Equador de rechaçar a presença desse grupo armado irregular (as Farc) em território equatoriano e censurar as práticas atentatórias ao direito humanitário internacional, assim como o apoio ilegal ao narcotráfico”.

FARC EM RONDÔNIA
A suposta interferência das Farc em disputas agrárias no Brasil foi denunciada ontem na Câmara dos Deputados pelo secretário de Segurança de Rondônia, Cezar Pizzano. Em sessão da Comissão de Agricultura, Pizzano afirmou que a guerrilha colombiana estaria dando treinamento militar à Liga dos Camponeses Pobres (LCP), movimento de origens maoístas que teria surgido em Minas Gerais e se expandido para Rondônia e o Pará.


Folha de São Paulo Lula aprova redução de fusos horários em 3 Estados
A mudança tem 60 dias para entrar em vigor e atingirá cidades do AC, AM e PA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem, sem vetos, a lei que reduz de quatro para três o número de fusos horários usados no Brasil. A mudança, que tem prazo de 60 dias para entrar em vigor, atingirá municípios nos Estados do Acre, Amazonas e Pará e será publicada no "Diário Oficial" da União de hoje.

Dentro desse prazo, os 22 municípios do Acre ficarão com diferença de uma hora em relação a Brasília -hoje são duas horas a menos. Municípios da parte oeste do Amazonas, na divisa com o Acre, sofrerão a mesma mudança, o que igualará o fuso dos Estados do Acre e do Amazonas.

A mudança na lei também fará com que o Pará, que atualmente tem dois fusos horários, passe a ter apenas um. Os relógios da parte oeste do Estado serão adiantados em mais uma hora, fazendo com que todo o Pará fique com o mesmo horário de Brasília.

O projeto, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC), foi aprovado no Senado em 2007. Ao tramitar na Câmara, foi alvo de pressão de emissoras de televisão. O lobby foi por conta da entrada em vigor de portaria do Ministério da Justiça que determinou a exibição do horário de programas obedecendo à classificação indicativa.

Parlamentares da região Norte ainda pressionam o governo em virtude das regras da classificação indicativa.

Ela determina que certos programas não indicados para menores de 14 anos, por exemplo, não possam ser exibidos em todo o território nacional no mesmo horário, já que existem diferenças de fuso.


Folha de São Paulo Onda de 3 m invade barco e provoca pânico no Rio
Houve feridos leves; acidente foi na travessia Niterói-Rio
MALU TOLEDO

Uma onda com cerca de três metros invadiu um catamarã na baía de Guanabara, durante travessia de Niterói para o Rio, e provocou pânico nos cerca de 200 passageiros, ontem pela manhã. Ao menos 12 precisaram de atendimento médico.

A porta dianteira do barco foi arrombada pela água, que invadiu a cabine dos passageiros.

A ressaca, que desde quarta-feira castiga a orla do Rio, ontem provocou ondas grandes dentro da baía -habitualmente as águas são quase paradas.

O mar estava tão agitado que a Capitania dos Portos precisou fechar o trânsito marítimo na baía por quatro horas. A linha Charitas-Rio, atendida pelo catamarã, continuava suspensa até a conclusão desta edição.

O catamarã é um barco de pequeno porte que costuma ser usado como meio de transporte por moradores.

Os institutos de meteorologia descartam ligação entre a forte ressaca na orla carioca e os tremores de terça-feira.

O catamarã, com capacidade para 237 pessoas, saiu à 7h45 de Charitas, na zona sul de Niterói, e cerca de dez minutos depois começou a enfrentar ondas com cerca de um metro, na altura da ponta do Morcego, em Niterói. A embarcação teve de diminuir a velocidade e chegou a desligar o motor duas vezes. Uma onda de três metros atingiu a frente da embarcação e rompeu uma porta de alumínio. As pessoas que estavam sentadas na frente ficaram encharcadas e algumas tiveram ferimentos leves. O chão da embarcação ficou alagado.

O comandante do barco, Joel Moura, disse que nunca tinha enfrentado ondas tão grandes naquele trajeto.

Doze pessoas foram atendidas, entre elas duas mulheres grávidas, que foram liberadas, segundo a empresa que administra as barcas. Até a conclusão desta edição, três pessoas permaneciam em observação no hospital municipal Souza Aguiar, no centro.
A estudante Tatiana Passos Ribeiro, 20, que sempre vai para o Rio de barca, ligou para a mãe assim que viu a água invadindo o catamarã. Ela contou que ficou mais nervosa com a reação das pessoas, muitas delas idosas, que entraram em pânico, chorando e rezando.

Segundo ela, os tripulantes deixaram as pessoas ainda mais assustadas porque gritaram para elas não saírem dos lugares.
Ela ligou para a mãe, a médica Eliane Ribeiro, que pegaria a barca das 8h. Aflita, a médica "acompanhou" a filha até a estudante desembarcar no Rio.

Causas da ressaca
Uma frente fria no oceano Atlântico, na altura do Rio Grande do Sul, teria provocado a ressaca no litoral fluminense, segundo análises do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), da Marinha e do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília.

Eva Matschinske, do serviço de meteorologia da Marinha, apontou três fatores para o aumento da maré: o deslocamento da frente fria para o litoral, um vento sudoeste na mesma direção do litoral e a fase da lua -quarto crescente.
Segundo ela, a tendência é que a maré diminua a partir de hoje, porque o vento já se deslocou para o litoral norte do Rio.


Folha de São Paulo Família de padre aluga avião para buscas
Irmão afirma ter certeza que o religioso está vivo; trabalhos da Marinha prosseguem somente até hoje
DIMITRI DO VALLE

A família do padre Adelir Antônio de Carli alugou um avião bimotor para reforçar as buscas pelo religioso, desaparecido desde domingo no litoral de Santa Catarina, após levantar vôo preso a cerca de mil balões de festa com gás hélio.

A aeronave saiu ontem de Navegantes (SC) e começou a vistoriar a costa desde o litoral norte catarinense, onde o padre fez os últimos contatos por celular antes de cair no mar.

A Marinha informou que os trabalhos prosseguem somente até hoje. Haverá então uma análise do caso para verificar a possibilidade de continuidade das buscas. As primeiras 72 horas após o desaparecimento, que venceram anteontem, foram o período considerado de maior chance de localização.

Um avião da FAB se retirou ontem das operações. De acordo com o 5º Distrito Naval, comandantes das duas Forças Armadas decidiram que a estrutura da Marinha é suficiente. O avião da FAB, segundo a Marinha, fez todas as varreduras possíveis do mar a partir de tetos mais elevados.

O bimotor fretado pela família de Carli tem autonomia para incursões de até 100 milhas náuticas (185 quilômetros). "Temos certeza que ele está vivo. Por isso, alugamos o avião", disse o irmão do padre, Marcos de Carli. Ele pediu que a população não pare de rezar.

Carli levantou vôo para tentar quebrar um recorde mundial de permanência no ar e divulgar o trabalho da Pastoral Rodoviária, fundada por ele em Paranaguá (90 km de Curitiba) para apoiar caminhoneiros.

Buscas
As buscas se estenderam ontem mais ao sul do litoral catarinense e devem chegar à cidade portuária de Imbituba (104 km a sul de Florianópolis). A Marinha se baseia na direção dos ventos e das correntes marítimas. Há dois navios e um helicóptero na operação.

Outra frente de buscas está sendo feita pelo Corpo de Bombeiros em regiões de morros e de mata fechada de Penha (127 km a norte de Florianópolis).

O bispo de Paranaguá, dom João Alves dos Santos, disse que um fiel próximo ao padre teve um "sentimento" de que o religioso esteja perdido em uma área de mata na região de Penha, onde foram localizados, boiando perto da costa, os primeiros restos de balões.


Jornal do Brasil Niterói também sofre. Na Urca, barco afunda

A ressaca incomum para esta época do ano pegou de surpresa proprietários que ancoram seus barcos na Urca. Um deles chegou a adernar. O estrago só não foi maior porque, por volta das 6h, funcionários do Iate Clube do Rio de Janeiro manobraram os barcos para dentro da baía. Os que estavam mais perto do cais, chegaram a cair do berço (armação de madeira onde se assenta um barco) e três deles tiveram seus mastros quebrados.

– Não temos uma ressaca como esta há cinco anos e, pela primeira vez, ocorre em abril – observa Alberico de Arruda, superintendente do Iate Clube. – A ressaca foi tão forte que uma das lanchas chacoalhava como uma caixa de fósforo.

Um dos píeres do clube foi danificado e ontem mesmo o representante da seguradora fez uma vistoria para calcular o prejuízo.

– Temos 750 barcos aqui. Por sorte, poucos estão ancorados já que a maioria aproveitou o feriadão e viajou. Muitos estão em Angra dos Reis – contou Arruda.

Transtornos em Niterói
Os efeitos da ressaca também foram sentidos nas ruas de Niterói. Os bairros de São Francisco, Charitas e Boa Viagem, que cercam a orla da bacia hidrográfica, foram os mais afetados. Na Praia das Flechas, a areia invadiu uma faixa de rolamento, entre os bairros do Ingá e Icaraí, impedindo o trânsito de pedestres e veículos.

A Avenida Engenheiro Martins Romêo, que dá acesso ao Museu de Arte Contemporânea (MAC), no bairro de Boa Viagem, ficou interditada em direção a Icaraí, obrigando os motoristas a circularem pelo Ingá e aumentando os congestionamentos no bairro. Durante todo o dia, cerca de 30 homens da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) retiraram 12 metros cúbicos

Jornal do Brasil Dia de fúria no mar e medo em terra firme
Ressaca afunda barco, atinge catamarã e fere 20
Janaína LinharesCarolina Bellei

Em vez de banhistas, curiosos. No lugar de corpos bronzeados, apreensão. Apesar do céu azul e do sol forte, a paisagem do Rio ontem foi atípica. Mudanças climáticas provocadas por um ciclone extratropical com origem no litoral do Rio Grande do Sul provocaram uma forte ressaca, que deixou o mar com ondas de mais de cinco metros em várias partes da cidade. O fenômeno ainda pôde ser sentido na Baía de Guanabara, onde uma onda atingiu um catamarã e deixou 20 feridos e afundou um barco na Urca. Muitos se assustaram com o que viam e houve quem fizesse ligação com o tremor de terra no Oceano, que sacudiu São Paulo na terça-feira.

– Nunca vi o mar tão bravo. Pensei que íamos ser engolidos – disse a estudante Luiza Salles.

Em trechos da Zona Sul, a água e a areia invadiram o calçadão. O repórter-aéreo da Rádio JB-FM, Carlos Eduardo Cardoso, que estará nas páginas do JB sempre que preciso, deu o seu relato depois de sobrevoar o Leblon.

– Quando vi o recuo do mar e a grande faixa de areia no Leblon, lembrei logo do que aconteceu na Indonésia antes da tsunami – disse ele, relembrando o acidente que vitimou mais de 200 mil pessoas em dezembro de 2004.

No Flamengo, ondas arrastaram pedras para perto de um restaurante e, em Copacabana, um turista estrangeiro quase se afogou. Niterói também sofreu com o mar revolto. Na Praia de Icaraí as ondas alcançaram o calçadão e as casas na beira das praias das Flechas e Boa Viagem chegaram a ser invadidas pela água.

– Ventou forte durante a noite e pela manhã, vi que a água havia atingido os carros – descreveu o compositor Daniel Pereira.
Colaborou Mariana Abrahão



Jornal do Brasil COLUNA
Vitória de Jobim
Gilberto Amaral


Foi uma vitória da persistência e da persuasão, que deve ser creditada ao ministro da Defesa, Nelson Jobim (foto), o aumento do soldo dos militares, numa média percentual de 47%, variando do recorde histórico de 137,8% para os recrutas e 35,5% para os generais.

Empenhado em reequilibrar o soldo dos militares, defasado durante vários governos, o ministro Jobim teve os esforços recompensados com o decreto presidencial. A tropa, em continência, agradece.



O Dia Abalo submarino pode ter ‘sacudido’ marés
Tremor de 6,5 graus foi registrado pela UnB horas antes da megarressaca

Rio - A agitação dos mares no litoral fluminense pode ser explicada até por fenômenos sísmicos. Especialistas em tectônica dos oceanos ouvidos por O DIA afirmam que o tremor de 5,2 graus na escala Richter (que vai até 9) registrado terça-feira no litoral de São Paulo — e sentido no Rio — não tem relação com a ressaca, mas um terremoto subseqüente poderia ter movimentado os mares do Rio. “Existe uma possibilidade de um tremor de terra posterior ao de São Paulo ter provocado o fenômeno. Ele pode ter ocasionado um movimento no fundo do oceano, no sentido vertical, com deslocamento de rocha”, afirma o oceanógrafo da Uerj Vitor D’ávila.

Segundo o Observatório de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB), ontem, por volta das 4h, um terremoto foi registrado no Norte do Atlântico. “Detectamos tremor de 6,5 graus a mil quilômetros de Fernando de Noronha”, informa Daniel Caixeta, técnico da UnB.

Especialista em oceanografia geológica da UFF, o professor Alberto Figueiredo atribui a agitação marítima a ventos vindos da costa gaúcha, a 1.500 km do Rio, mas afirma que os tremores no Atlântico podem ter contribuído para o fenômeno no Rio: “É possível, sim. As ondas perdem energia, mas podem chegar a todo o oceano. Na época da tsunami (no Oceano Índico, em 2004), chegaram pequenas ondas à Baía de Guanabara”.

O especialista da Uerj observa que o fenômeno dos ventos vindos de frente fria no Sul é recorrente no Rio, mas a agitação dos mares como a de ontem é rara: “Só pode ser explicado por uma série de acontecimentos infelizes. Há décadas não ocorre. Em 30 anos aconteceu em duas ocasiões no Rio”. D’ávila afirma que os ventos formam uma espécie de “pólo difusor de ondas” que chegam “de frente para a Baía”.

Os ventos, afirma, podem explicar o fenômeno das ondas, mas não o avanço do mar no Aterro do Flamengo e o recuo na Zona Sul, visto na manhã de ontem. Figueiredo, por sua vez, tem outra explicação para o fenômeno constatado na orla. “Depois da tempestade em alto-mar, as ondas que chegaram ao litoral do Rio quebraram junto à praia e retiraram areia das partes mais profundas”.

Para a Marinha, a hipótese sismológica é descartada. “É fenômeno meteorológico. Os ventos ‘empilharam’ a água, as ondas aumentaram de tamanho e foram propagadas até a costa”, diz o tenente Leandro Machado, do Serviço Meteorológico Marinho, para quem a ressaca foi causada por ventos fortes.


O Estado de São Paulo Cerco deve atingir ONGs brasileiras
Proposta que inclui as entidades nacionais ainda está em fase inicial
Felipe Recondo, Brasília

O governo pretende estender para as organizações não-governamentais (ONGs) brasileiras que atuam na Amazônia o cerco que será feito às ONGs estrangeiras. A idéia é montar um arsenal jurídico que coíba a biopirataria, a influência sobre os índios e a ocupação irregular de terras na região.

Apesar de as ONGs estrangeiras não serem o único alvo do governo, devem ser elas as primeiras a ser afetadas por mudanças na legislação. Está mais avançada no governo a discussão sobre uma nova Lei do Estrangeiro que estabeleça como precondição para que as ONGs internacionais atuem na Amazônia uma autorização expressa do Ministério da Defesa, além da licença do Ministério da Justiça, como mostrou o Estado em sua edição de ontem.

A restrição às ONGs nacionais ainda está em estágio de diagnóstico. Somente depois de estudos do grupo de trabalho formado por integrantes do Ministério da Justiça, da Advocacia-Geral da União (AGU), da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Controladoria-Geral da União (CGU) é que uma minuta de projeto será elaborada.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, avisou que, 'se necessário', pode acionar a Polícia Federal para que essa fiscalização sobre as ONGs seja feita. 'Precisamos ter normas especiais para controlar a entrada de ONGs lá, principalmente estrangeiras, mas não somente as estrangeiras, todas as que façam trabalhos vinculados a outros interesses que não os definidos em seus estatutos', disse ele, ontem. 'Queremos fortalecer e prestigiar ONGs sendo muito rigorosos com elas e dando força para as que são autênticas', acrescentou.

O projeto da nova Lei do Estrangeiro está na Casa Civil da Presidência da República e será enviado ao Congresso até junho. Preparado pela Secretaria Nacional de Justiça, o projeto prevê multas que vão de R$ 5 mil a R$ 100 mil para estrangeiros que atuarem na Amazônia sem a devida autorização.

Pelos cálculos dos militares, existem no Brasil 250 mil ONGs e, desse total, 100 mil atuam na Amazônia. Outras 29 mil engordam o caixa com recursos federais, que somente em 2007 atingiram a cifra de R$ 3 bilhões.

Na semana passada, ao escancarar o descontentamento com a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante militar da Amazônia, fez um alerta. Segundo ele, há ONGs internacionais estimulando os índios a lutar pela divisão do território nacional.

Heleno definiu a política indigenista do governo de Luiz Inácio Lula da Silva como 'lamentável, para não dizer caótica'. As declarações geraram irritação no Palácio do Planalto. O ministro Nelson Jobim, da Defesa, orientou Heleno a não falar sobre o assunto.


O Estado de São Paulo As ONGs não podem ser criminalizadas
Taciana Gouveia

Desde a sua fundação em 1991, a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais - Abong- possui um Regional na Amazônia, composto por um conjunto de ONGs nacionais que há muito trabalham na área. Estas organizações realizam inúmeros tipos de atividades e ações, sempre com um objetivo: a defesa dos direitos humanos no seu sentido amplo, ou seja, os direitos humanos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Estão também articuladas com muitas outras entidades, desde sindicatos rurais até comunidades eclesiais de base, presentes nos pontos mais remotos do imenso território.

Entre as milhares de pessoas direta e indiretamente envolvidas nessas iniciativas, estão os povos tradicionais da Amazônia. São ribeirinhos, quilombolas, indígenas, pequenos agricultores. Como é de conhecimento geral, são povos cujos direitos têm sido cerceados e transgredidos: têm suas terras tomadas por transnacionais, são vítimas de ameaças e assassinatos, assistem diariamente às ameaças à biodiversidade do rico e cobiçado meio ambiente da região.

As ONGs do campo Abong e entidades parceiras têm insistido nesses e em outros problemas, como a 'rapina e não plano de manejo' - ou o intenso desmatamento - que há muito ocorre na Região Amazônica e fato ressaltado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Rapina alvo de constantes denúncias também dos povos tradicionais, que poucas vezes têm sua voz escutada. Por isso, é necessário que haja um rigoroso controle social da ação desenvolvida por qualquer tipo de organização na Amazônia, seja ela pública, privada ou não-governamental. Entretanto, e mais uma vez, urge que o governo tenha parâmetros legais bem definidos, para que o controle de atividades ilegais na Região Amazônica não criminalize as organizações e os movimentos que têm lutado pelos direitos dos seus povos e realizado ações na direção de um desenvolvimento realmente sustentável e com justiça social.



O Estado de São Paulo Grande perigo é balcanizar Amazônia
General Luiz Gonzaga Lessa*

Há um grande perigo em gestação na fronteira Norte do País: a balcanização da Amazônia,, ou seja, a transformação daquela vasta região em algo semelhante ao que ocorreu no Kosovo, nos Bálcãs, com conseqüente risco à soberania brasileira. Este tema tem muito a ver com a tentativa de transformar toda aquela área, onde vive boa parte das nações indígenas brasileiras, em uma nação distinta do Brasil.

Isso tem muito a ver com a influência estrangeira sobre os índios, tema que está no fulcro do projeto apresentado pela Secretaria Nacional de Justiça. O pior é que este atentado não tem sido coibido pelo governo, que, obviamente, percebe o risco, mas tem se omitido e não de agora.

Esse perigo, sobre o qual temos alertado toda a sociedade brasileira há mais de dez anos, tem a ver com a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 13 de setembro de 2007. Essa declaração é quase o ato final de um persistente processo que, nos últimos 20 anos, tem sido levado a efeito por influentes e bem estruturadas organizações não-governamentais (ONGs).

Caso a Declaração venha a ser referendada pelo Congresso, ganhará força de emenda constitucional, conforme prevê a própria Constituição Lembro que a Lei Maior diz, no seu artigo 5.º, que tratados internacionais referentes a direitos humanos referendados pelo Congresso passam a valer como emendas constitucionais. Em tese, nada impediria que algum destes vários líderes indígenas, muito bem instruídos e preparados, declarasse a independência de sua 'nação', apartada do Brasil.

A se confirmar essa tendência, teremos retalhado o Brasil em 227 nações, com 180 diferentes idiomas. O crime contra o Brasil e sua soberania e unidade territorial terá sido perpetrado. Onde está a sociedade civil que não se manifesta?

* Comandante militar da Amazônia até 1998 e ex-presidente do Clube Militar


O Estado de São Paulo Navio com armas retorna à China
Embarcação iria para o Zimbábue, mas foi impedida de atracar

Após uma semana sem conseguir permissão para atracar em países do sul da África, um navio chinês, com armamentos encomendados pelo governo do Zimbábue, está retornando para a China. “A empresa decidiu enviar os componentes militares de volta para a China, na mesma embarcação”, disse ontem a porta-voz da chancelaria chinesa, Jiang Yu.

A embarcação chegou à costa da África da Sul há uma semana com 77 toneladas de munição, foguetes e morteiros de fabricação chinesa - carga avaliada em US$ 1,4 milhão.

Trabalhadores e líderes religiosos sul-africanos protestaram e impediram que o navio atracasse. Em seguida, o barco tentou entrar em outros países (como Moçambique e Angola), mas também não conseguiu.

O bloqueio contra o navio ganhou força nos países vizinhos do Zimbábue, que não costumam criticar abertamente o presidente Robert Mugabe. A pressão sobre o líder zimbabuano vem aumentando, pois ele se recusa a divulgar o resultado das eleições presidenciais do dia 29. A oposição afirma que seu candidato, Morgan Tsvangirai, venceu a votação.

Há fortes indícios de que as armas chinesas seriam usadas pelo governo em sua campanha para reprimir os opositores - enfraquecendo os partidários de Tsvangirai num possível segundo turno. Médicos zimbabuanos afirmam que mais de 300 opositores já foram atacados.

Ontem, os EUA fizeram seu mais duro ataque contra Mugabe desde as eleições. Em visita à África do Sul, a secretária para Assuntos Africanos, Jendayi Frazer, disse que Tsvangirai obteve uma “vitória clara” contra Mugabe.

“Esse governo está rejeitando a vontade das pessoas. Se elas tivessem votado para Mugabe, já teríamos o resultado”, disse a americana.

Jendayi também defendeu a proposta do premiê britânico, Gordon Brown, de impor um embargo internacional de armas contra o Zimbábue.


O Globo PÂNICO NA BAÍA
Costa é vulnerável a ondulações de sudeste
Mudança de direção faz mar entrar com força na Baía de Guanabara sem encontrar obstáculos, explica oceanógrafo
Tulio Brandão

As ondas que quase viraram o catamarã Zeus I são esporádicas, segundo especialistas. O fenômeno ocorre quando uma ondulação forte, provocada pelos ventos de um ciclone extratropical formado no Oceano Atlântico, próximo ao Rio Grande do Sul, chega ao Rio vinda de sudeste, o que facilita sua entrada na barra da Baía de Guanabara. Esta direção de onda também expõe à força do mar outros pontos da costa carioca, como a Praia de Copacabana e da orla de algumas cidades litorâneas do estado. Alguns especialistas, porém, dizem que a ondulação registrada ontem foi mais intensa.

O oceanógrafo Leonardo Marques da Cruz, da Prooceano, explica que a direção da onda foi determinante:

- A conformação da barra da Baía de Guanabara favorece a entrada da onda vinda de sudeste sem praticamente encontrar obstáculos. Além disso, o intervalo entre as ondas era de relativamente baixo para a ondulação, de 12 a 14 segundos. Ondulações com esse período demoram mais para sofrer influência do fundo (e variar a direção). Isso fez com que a ondulação se mantivesse limpa de sudeste até a entrada da Baía.

Para o oceanógrafo Rogério Candella, a diferença para outras ressacas vindas de sudeste foi a intensidade.

- O fenômeno em si não é tão raro, mas nem sempre chega com ondas fortes. Essa direção da ondulação afeta, além da baía, todas as áreas cuja costa segue a orientação nordeste-sudoeste, como as cidades litorâneas a partir de Arraial do Cabo. Nessas áreas, as ondas entram de frente - explica.

Como as praias do Leblon e de Ipanema são posicionadas no eixo leste-oeste, ficam menos expostas às ondulações de sudeste. Nessas áreas, portanto, a ressaca não foi tão forte

Segundo o oceanógrafo Rogério Fragoso, ondulações de sudeste atingem a cidade de duas a três vezes por ano, nem sempre com força. Já as Barcas S/A afirmam que há 30 anos não são registradas ondas deste tamanho na Baía de Guanabara.

A ressaca mudou a paisagem de lugares com águas normalmente tranqüilas como a Enseada de Botafogo, a Urca e Niterói, fazendo a festa dos surfistas. Ondas de até dois metros atingiram o calçadão e a pista das praias das Flechas e Icaraí. O calçadão da Praia de Boa Viagem virou uma arquibancada, tantos eram os curiosos. As ondas em Itapuca, Niterói, atraíram surfistas até da Barra da Tijuca, como o administrador de empresas Cristiano Gomes de Almeida, de 32 anos:

- Desmarquei meus compromissos só para aproveitar essa ondulação rara. As ondas estão perfeitas.

Thursday, April 24, 2008

 
Correio Braziliense PADRE DESAPARECIDO
Buscas sem resultados
No quarto dia de buscas pelo padre Adelir de Carli (foto), desaparecido desde o último domingo, as equipes de resgate da Marinha e Força Aérea Brasileira se concentraram nas regiões litorâneas de Barra Velha e Florianópolis (SC). Foram utilizados dois navios, um avião e um helicóptero, mas até o início da noite nada foi encontrado. De acordo com o capitão Alexandre Lopes, da Capitania dos Portos de São Francisco do Sul (SC), as chances de encontrar o padre com vida diminuem. “A cada dia vão se reduzindo as chances de encontrá-lo com vida, principalmente por causa da região onde o padre caiu, em alto-mar e com águas profundas”, disse o capitão Lopes. O oficial da Marinha descartou o uso de mergulhadores para localizar o padre porque não se sabe a localização exata do religioso.
Folha de São Paulo VISITA OFICIAL
Lula vai levar empresários ao Haiti em maio
DA REPORTAGEM LOCAL
Está marcada para 28 de maio a segunda visita do presidente Lula às tropas brasileiras que integram a missão de paz da ONU no Haiti. Na comitiva, Lula levará empresários dos setores energético e de infra-estrutura, buscando acelerar investimentos privados naquele país.
Entre as empresas convidadas estariam empreiteiras que já atuam em países em reconstrução, como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Uma construtora brasileira, cujo nome é mantido sob sigilo, já recebeu US$ 80 milhões do Banco de Desenvolvimento Europeu para a primeira fase das obras de reestruturação de rodovias haitianas.
Na capital Porto Príncipe, Lula terá compromissos oficiais, como reunião com o presidente René Préval e visita ao Centro de Estudos Brasileiros Celso Ortega Terra.
A segunda visita de Lula ao Haiti ocorre um mês após protestos violentos contra a pobreza terem deixado pelo menos seis mortos -cerca de 80% da população vive com menos de US$ 2 por dia.
O petista já esteve em Porto Príncipe em 2004, quando a seleção brasileira venceu a haitiana por 6 a 0. A intenção da visita é mostrar que o Brasil continua liderando a missão de paz no Haiti desde sua criação, em 2004.
Folha de São Paulo Militar terá reajuste em parcelas após 8 meses de negociação
"Chegamos ao número correto, tendo em vista que temos que trabalhar com restrições orçamentárias", disse o ministro da Defesa
LEILA SUWWAN
Após oito meses de negociações e espera, o Ministério da Defesa anunciou ontem a tabela de reajuste salarial dos militares, com um aumento médio de 47,19% em cinco parcelas até 2010 -cada patente militar terá um ajuste diferenciado. O impacto estimado na folha de pagamento do governo é de R$ 12,3 bilhões até 2011 -hoje a folha salarial dos militares custa R$ 27,6 bilhões.
Segundo o ministro Nelson Jobim (Defesa), os valores são "corretos" e os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica ficaram satisfeitos. Cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitir medida provisória ou enviar projeto de lei ao Congresso para assegurar o pagamento. "Nós chegamos ao número correto, tendo em vista que temos que trabalhar com restrições orçamentárias", disse Jobim. "As pessoas sempre querem mais do que se pode. Coube a mim estabelecer algo que fosse compatível com o Estado brasileiro.
O reajuste começou a ser discutido em setembro de 2007, mas as conversas foram paralisadas depois que o Congresso derrubou a cobrança da CPMF (imposto do cheque). Segundo Jobim, o efeito da perda de arrecadação fez com que o governo considerasse um prazo mais longo nas parcelas de reajuste.
A previsão é de três parcelas ainda em 2008, sendo que a primeira terá efeito retroativo até janeiro. Essa primeira etapa de aumento varia de 100% -aos recrutas- a 8% -aos generais.
São justamente os recrutas que terão o maior reajuste acumulado até 2010: 137,83%. Segundo Jobim, esse grupo de cerca de 82 mil militares recebiam uma remuneração média de R$ 235,20. Tiveram prioridade por receber menos que um salário mínimo. O cálculo prevê que o soldo dos recrutas chegue a R$ 415 e que o salário médio (com adicionais) fique na média de R$ 471.
A variação acompanha a graduação das patentes e o menor nível de reajuste proposto é para os oficiais-generais (quatro estrelas), na média de 35,31%.
"Se considerarmos o total de reajustes propostos, do máximo ao mínimo, a média global iniciando pelos recrutas, será de 47,19%", disse Jobim.
Para o nível de sargentos, o reajuste médio previsto até 2010 é de 41,72%. É nesta patente que estão quase todos os controladores de tráfego aéreo, categoria que realizou um motim em março de 2007 para reivindicar a desmilitarização do setor e aumento salarial.
O anúncio dos reajustes sofreu atraso na semana passada após mal-estar causado pelas críticas do comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, à política indigenista e à homologação da reserva Raposa/Serra do Sol (RR).
Jobim repetiu hoje que a questão está "encerrada" e não quis comentar a polêmica.
"O assunto está entregue ao Supremo. Não cabe mais a Executivo e Legislativo emitir opiniões. Todas as opiniões serão desconsideradas", disse.

Folha de São Paulo Ministérios não crêem em corte efetivo no Orçamento
Contingenciamento de R$ 19,2 bi deve ser contornado por emendas parlamentares
JULIANA ROCHA
Nem os ministérios mais afetados pelo contingenciamento do governo, de R$ 19,2 bilhões no Orçamento, acreditam que haverá corte efetivo nos seus gastos neste ano. Decreto publicado ontem no "Diário Oficial" da União traz uma redução na disponibilidade de cada ministério para as despesas não-obrigatórias, que atingiu principalmente as Cidades, os Esportes e o Turismo.
Parte dos cortes será compensada com o aumento de despesas obrigatórias, nas quais o governo inclui R$ 11 bilhões de créditos extraordinários para obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). No total, o aumento de despesas obrigatórias foi de R$ 17,7 bilhões.
Os ministérios das Cidades, do Turismo e da Educação receberam a promessa do Planejamento de que o dinheiro deverá ser liberado ao longo do ano por emendas parlamentares. George Soares, diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do Planejamento, admite que o decreto publicado ontem traz só o contingenciamento para o ano. Nada impede que, se a arrecadação crescer acima do esperado, o dinheiro não seja liberado.
O ministro Márcio Fortes (Cidades) disse à Folha ter certeza de que o orçamento da sua pasta neste ano será o mesmo previsto na lei orçamentária aprovada pelo Congresso, de R$ 5,9 bilhões. O corte anunciado na pasta foi de R$ 2,7 bilhões, uma redução de 45% em relação ao que os parlamentares aprovaram. Com isso, Fortes passa a ter disponível R$ 3,2 bilhões neste ano.
O Ministério da Saúde teve um corte de R$ 2,5 bilhões sobre o aprovado pelo Congresso, uma queda de 6%. E o da Educação, de R$ 1,6 bilhão.
"Esse corte foi feito nas emendas parlamentares, que já nascem contingenciadas. Mas ao longo do ano serão liberadas", afirmou Fortes. "Tive a garantia de que o PAC não vai ser contingenciado. A minha pasta não terá corte."
Do total contingenciado, a maior parte é dinheiro que seria destinado a investimentos. Dos R$ 19,2 bilhões do corte, só R$ 7 bilhões são despesas de custeio. Apesar disso, Soares disse que o principal critério no bloqueio do Orçamento foi poupar o PAC.
Segundo ele, Esportes e Turismo tiveram corte proporcionalmente maior, de 84% e 85%, porque não têm obras em andamento. Também são ministérios de menor porte e que contam com emendas orçamentárias ao longo do ano.
Soares não informou qual a destinação dos créditos extraordinários, listados como despesas obrigatórias. Mas confirmou que será todo destinado ao PAC, à exceção de R$ 614 bilhões liberados para o Ministério da Integração Nacional investir em defesa civil. Dos R$ 11 bilhões, ele disse que R$ 8,1 bilhões vieram na forma de restos a pagar do ano passado, ou seja, obras que deixaram de ser pagas em 2007 e entram no Orçamento deste ano.
Francisco Lopreato, especialista em contas públicas da Unicamp, avalia que o governo só fará o contingenciamento efetivo anunciado ontem se o aumento de juros provocar um desaquecimento maior do que o esperado na economia e, assim, a arrecadação não cumprir a expectativa. "Se a arrecadação se comportar como esperado, o dinheiro sai por emenda."

Folha de São Paulo Padre que sumiu com balões não concluiu curso de vôo
Marinha continuou as buscas pelo religioso no litoral de Santa Catarina, mas nenhuma pista foi localizada até o início da noite de ontem
MATHEUS PICHONELLI
Pedaços dos balões utilizados pelo padre e encontrados no mar
Desaparecido desde domingo, após levantar vôo amarrado a mil balões de festa, em Paranaguá (PR), o padre Adelir de Carli não conseguiu terminar um curso de vôo iniciado em 2005. Segundo o instrutor de vôo Márcio Lichtnow, que foi seu professor em um curso de parapente (espécie de pára-quedas retangular) em Curitiba, por falta de disciplina e assiduidade, o padre foi "convidado a se retirar" da escola.
O instrutor diz que o religioso "achava que era autodidata". "Ele não acatava orientações. Não sabia voar e, mesmo assim, se jogou nessa", disse o piloto, que afirmou ter 15 anos de experiência.
No domingo, Carli decidiu decolar mesmo com tempo ruim. Seu plano era ficar 20 horas no ar, em direção ao interior do Paraná, mas acabou se deslocando para o oceano.
A Marinha continuou ontem as buscas pelo padre, no litoral sul de Santa Catarina. Houve incursões em alto-mar, a mais de 50 km da costa, e em várias ilhas. Nenhuma pista foi localizada até o início da noite.
Amigos do padre o defenderam de acusações de imperícia e inexperiência. "Ele tinha todo o preparo para fazer o vôo. Era qualificado e praticante de parapente. O que aconteceu foi uma fatalidade, como em um acidente de trânsito", afirmou o empresário José Carlos Bom, pára-quedista e membro da equipe de apoio de Carli.
O comerciante Ernesto Klein, coordenador do projeto de vôo do padre, disse que ele não é inexperiente, pois praticou parapente por mais de três anos. "Estão falando muita coisa que não é verdade."
Segundo o ex-instrutor do religioso, Carli freqüentou apenas 10% das aulas do curso de parapente. "Ele só fez a introdução do curso, que tem 40 horas de aulas teóricas." Se tivesse completado o curso, diz o professor, Carli poderia ter evitado o incidente de domingo. Saberia, por exemplo, avaliar que as condições meteorológicas não eram adequadas.
Ainda segundo Lichtnow, o aparelho de GPS que o padre levava não era indicado para vôos, mas para trilhas em solo. "Para voar, é preciso um aparelho melhor, com mapa, informações sobre situação do solo e velocidade de deslocamento."

Comoção
Em Paranaguá, na paróquia de Carli, fiéis fazem jejum, adiam compromissos familiares e promovem correntes de oração para que o religioso seja localizado vivo.
"Era como se ele fosse um pai para nós", disse o aposentado Domingos Alves Andrioli, 63.
Uma dona-de-casa de 38 anos, que pediu para não ser identificada, afirmou que jejuava para que o padre fosse encontrado com vida.

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